Hérnia de hiato e refluxo: entenda quando a cirurgia pode ser a melhor solução
Sentir azia frequentemente, queimação após as refeições, gosto amargo na boca ou desconforto ao deitar pode parecer algo comum. Muitas pessoas convivem com esses sintomas por anos acreditando que fazem parte da rotina. Porém, em diversos casos, esses sinais podem estar relacionados à Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) ou à hérnia de hiato.
Embora muitos pacientes apresentem melhora com mudanças nos hábitos e uso de medicamentos, existe um grupo de pessoas que continua sofrendo com sintomas persistentes ou desenvolve complicações. Nessas situações, a cirurgia pode oferecer uma solução definitiva, proporcionando melhora significativa da qualidade de vida.
O que é hérnia de hiato?
A hérnia de hiato acontece quando uma parte do estômago atravessa o diafragma — músculo que separa o tórax do abdômen — passando para dentro da cavidade torácica.
Essa alteração pode comprometer o funcionamento da válvula natural localizada entre o esôfago e o estômago, facilitando o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, conhecido como refluxo gastroesofágico.
É importante destacar que:
- Nem toda hérnia de hiato provoca sintomas;
- Nem todo paciente com refluxo possui hérnia de hiato;
- As duas condições frequentemente aparecem associadas.
Quais são os principais sintomas?
Os sintomas variam de intensidade e podem piorar após refeições volumosas ou ao deitar.
Os mais comuns incluem:
- Azia frequente;
- Queimação atrás do peito;
- Regurgitação de alimentos ou líquido ácido;
- Gosto amargo na boca;
- Tosse seca persistente;
- Rouquidão;
- Dor no peito (após exclusão de causas cardíacas);
- Sensação de alimento parado na garganta;
- Dificuldade para engolir em alguns casos.
Quando esses sintomas se tornam frequentes ou interferem na rotina, é importante procurar avaliação especializada.
Por que o refluxo merece atenção?
O contato repetitivo do ácido do estômago com o esôfago provoca inflamação contínua.
Sem tratamento adequado, o refluxo pode evoluir para complicações como:
- Esofagite;
- Estreitamento do esôfago;
- Úlceras;
- Sangramentos;
- Esôfago de Barrett, condição que aumenta o risco de câncer de esôfago em uma pequena parcela dos pacientes.
Por isso, não é recomendado conviver durante anos apenas controlando os sintomas sem investigação adequada.
Quando a cirurgia é indicada?
Nem todo paciente precisa de cirurgia.
Inicialmente, o tratamento costuma envolver:
- Mudanças na alimentação;
- Perda de peso quando necessário;
- Evitar refeições próximas ao horário de dormir;
- Redução do consumo de álcool e cigarro;
- Uso de medicamentos que diminuem a produção de ácido.
A cirurgia passa a ser considerada quando:
- Os sintomas persistem mesmo com tratamento clínico;
- Existe dependência contínua de medicamentos;
- Há hérnia de hiato importante;
- O paciente apresenta complicações do refluxo;
- Existe regurgitação intensa;
- O refluxo compromete significativamente a qualidade de vida.
Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Como é realizada a cirurgia?
Atualmente, a maioria dos procedimentos é realizada por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões no abdômen.
Durante a cirurgia, o cirurgião:
- reposiciona o estômago para o abdômen;
- corrige a hérnia de hiato;
- reforça a região do diafragma;
- reconstrói o mecanismo natural que impede o refluxo.
Essa técnica proporciona excelente visualização da anatomia, menor trauma cirúrgico e recuperação mais confortável para o paciente.
Quais são as vantagens da videolaparoscopia?
Em comparação às cirurgias abertas, a abordagem minimamente invasiva oferece diversos benefícios, como:
- pequenas incisões;
- menos dor no pós-operatório;
- menor perda de sangue;
- recuperação mais rápida;
- menor risco de infecção;
- retorno mais precoce às atividades;
- melhor resultado estético.
A indicação depende das características clínicas de cada paciente e da avaliação do cirurgião.
Como é a recuperação?
Na maioria dos casos, a recuperação é bastante rápida.
O paciente costuma:
- caminhar poucas horas após a cirurgia;
- receber alta em um curto período de internação;
- iniciar alimentação conforme orientação médica;
- retornar gradualmente às atividades habituais nas semanas seguintes.
Nos primeiros dias, normalmente é indicada uma alimentação progressiva e cuidados específicos para favorecer a cicatrização.
O acompanhamento médico é fundamental para orientar cada etapa da recuperação.
A cirurgia elimina o refluxo?
A cirurgia apresenta altos índices de sucesso em pacientes corretamente selecionados.
Grande parte dos pacientes apresenta:
- importante redução ou desaparecimento da azia;
- melhora da regurgitação;
- redução da necessidade de medicamentos;
- melhora significativa da qualidade de vida.
Os resultados dependem de uma avaliação adequada, da correta indicação cirúrgica e do seguimento pós-operatório.
Quando procurar um cirurgião do aparelho digestivo?
É recomendável procurar avaliação especializada quando houver:
- azia frequente por semanas ou meses;
- uso contínuo de medicamentos para refluxo;
- dificuldade para engolir;
- dor persistente após refeições;
- regurgitação recorrente;
- diagnóstico de hérnia de hiato em exames;
- esofagite de repetição;
- diagnóstico de Esôfago de Barrett.
Quanto mais precoce for a avaliação, maiores são as possibilidades de tratamento adequado e prevenção de complicações.
Conclusão
Conviver diariamente com azia, refluxo ou desconforto digestivo não deve ser considerado normal. Embora muitos pacientes obtenham controle dos sintomas com tratamento clínico, outros podem se beneficiar de uma abordagem cirúrgica moderna, segura e minimamente invasiva.
Uma avaliação individualizada permite identificar a melhor estratégia para cada caso, proporcionando mais conforto, segurança e qualidade de vida.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Hérnia de hiato sempre precisa de cirurgia?
Não. Muitos casos são tratados apenas com medicamentos, mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico. A cirurgia é indicada apenas quando existem sintomas persistentes, complicações ou critérios clínicos específicos.
O refluxo pode voltar após a cirurgia?
Embora a cirurgia apresente excelentes resultados, existe uma pequena possibilidade de recorrência ao longo dos anos. O acompanhamento médico e hábitos saudáveis ajudam a manter bons resultados.
Quanto tempo dura a cirurgia?
O procedimento costuma durar entre 1 e 2 horas, podendo variar conforme a complexidade de cada caso.
A cirurgia deixa cicatriz grande?
Não. A videolaparoscopia utiliza pequenas incisões, que geralmente resultam em cicatrizes discretas.
Depois da cirurgia posso voltar à alimentação normal?
Sim. A alimentação é reintroduzida gradualmente conforme orientação médica até o retorno à dieta habitual.



